Jejum Intermitente

O que é o “jejum intermitente (JI)”? Como o próprio nome “intermitente” já indica, trata-se de um padrão alimentar em que são estabelecidos intervalos, nos quais se alternam períodos de alimentação regular e jejum.

Primeiramente compreenda que o propósito de um Jejum Intermitente não deve ser “corrigir” ou melhor “compensar” exageros alimentares cometidos.

Essa prática, embora equivocada, é mais comum que imaginamos.

A pessoa come um sem fim de alimentos carregados em açúcares refinados, embutidos e outros produtos e, no depois, como uma maneira de se “redimir”, fica em jejum.

O propósito não é esse. Jamais.

Pois bem. Dito isso, o Ji pode ser feito com restrição da ingesta de calorias ou pelo não consumo total de comida por um determinado tempo, geralmente de 12-16 horas.

Pode ser permitido beber água, café e chá (SEM adoçar) – falaremos sobre isso na parte 3 dessa série. Há variações inclusive na forma que se pratica o Jejum Intermitente.

O modelo mais adequado ao perfil, organismo e hábitos de cada pessoa poderá ser definido juntamente com um nutricionista funcional.

Esta prática do JI pode ser considerada milenar. Se revisitarmos o homem primitivo (nossos ancestrais, os caçadores-coletores, que falamos no estilo Paleolítico) ele não tinha acesso à comida com a mesma facilidade que temos hoje – em que basta abrir a geladeira ou ir ao supermercado para acessar a fonte de alimento.

Com isso, seu organismo passava longos períodos sem comer.

Outra vertente da prática do jejum está ligada às tradições cultivadas por determinadas religiões que jejuam nos dias designados da semana ou do ano calendário, como islamismo, cristianismo, hinduísmo e budismo, para citar algumas.

Por isso, a classificação de que este é um “modismo” não está corretamente aplicada ao jejum intermitente, visto que trata-se de uma atitude já incorporada na história evolutiva da civilização.

Pelo contrário.

Estudos têm demonstrado benefícios decorrentes do Jejum Intermitente tanto à saúde física quanto mental.

Será que há benefícios com o Jejum Intermitente?

A restrição de calorias pode trazer melhorias para a saúde em longo prazo, mas, como disse ontem, é preciso acompanhamento de um nutricionista, além de atentar para a qualidade nutricional de reservas que você está formando antes de entrar em jejum.

Estudo realizado pela Universidade John Hopkins revelou que diferentes formas de jejuar podem ter um efeito significativo sobre o corpo humano, promovendo uma vasta gama de mudanças a nível celular e atingindo muitos sistemas metabólicos, como o fornecimento de combustível para o cérebro ou a maneira como o organismo reage ao estresse”.

A pesquisa referenciou que o JI pode contribuir com a melhora da memória e do humor.

Em 2016, o cientista Yoshinori Ohsumi ganhou o Nobel de medicina, por suas descobertas no campo da autofagia – uma espécie de reciclagem pela qual passam os componentes celulares.

Em linhas gerais, suas contribuições apontam o jejum ou o corte radical de calorias como meios de promover o aumento da expectativa de vida.

Isso porque o jejum é uma das formas de induzir a autofagia. Atualmente Mattson está trabalhando em um estudo envolvendo indivíduos obesos em risco de comprometimento cognitivo e os efeitos do Jejum Intermitente.

Vamos observar quais serão os resultados.

Com a frequência da prática, o JI condiciona o corpo a trabalhar de maneira diferente.

O jejum atua no sistema metabólico e na produção hormonal, contribuindo com o bom funcionamento do organismo.

Neste âmbito alimentar podemos dizer q a prática contribui p/ estimular menos a insulina, rompendo o “ciclo da fome” gerado para que o corpo tenha energia, visto que há exclusão de comidas “ruins” (industrializadas etc.).

Quando a insulina está baixa (hipoglicêmico) ocorre o contrário deste “ciclo da fome”.

São acionados hormônios antagônicos à ela (glucagon), fazendo com q a produção da insulina despenque e o cérebro ative a queima de reserva de energia proveniente dos seus estoques de gordura, proporcionando a formação de um estoque durador até a quebra do jejum.

Pra concluir

Jejum Intermitente consiste num padrão alimentar em que são estabelecidos intervalos, nos quais se alternam períodos de alimentação regular e jejum.

Conhecer e respeitar o organismo é a premissa fundamental (além de acompanhar com nutri). Comer pouco, mas com alto valor nutricional.

Em linhas gerais, o JI pode durar de 12 a 16 h, com uma frequência inicial de até 2x por semana, podem a chegar em uma periodicidade diária – na medida em que ocorre a adaptação à sua prática. As 8 horas (média) de sono podem ser contabilizadas dentro do período total do jejum.

O limite da saúde – para que se possa alcançar os benefícios e não haver alguma perda muscular, é geralmente de até 16 horas.

Períodos mais longos são comumente aplicados em caso de meditação, oração etc.

Algumas das questões mais recorrentes são:

1. Tomar água com limão quebra o Jejum Intermitente?

Há algumas vertentes mais exigentes que indicam que qualquer caloria ingerida quebra o JI.

Outras, mais tolerantes, aceitam 1/2 limão, sem excesso, se for uma vez só no período. A

prática mais comum é: exceto água, café e chá (sem adoçar) – tudo o + pode quebrar o jejum.

2. O que comer após?

1a. coisa é não terminar o Jejum Intermitente e – compulsivamente- buscar alimento.

Deve-se quebrar com uma água com limão, esperar algo em torno de 15 min. e iniciar a refeição que obrigatoriamente deve ser comida de verdade – sem se preocupar com este ou aquele alimento.

Só não vá fazer o Jejum Intermitente e depois comer um junkfood ou industrializado. Seu intestino, com o JI, estará mais “limpo”, então, respeite-o.

3. Jejum é obrigatório na Low Carb?

1º lugar, LC é um estilo de alimentação e jejum é uma estratégia alimentar. Uma coisa não tem relação com a outra. Vc pode fazer Jejum Intermitente juntamente a qualquer programa alimentar. Comer ou não carbos não tem nada a ver.

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